sexta-feira, 9 de julho de 2010

Segredos



Ela não aguenta mais ouvir as músicas de sempre e suas necessidades já são são tão igualitarias, ela quer estar contra o vento, a favor das pétalas e gritando com o barulho das ondas, ela realmente gostaria de enxergar todo o céu azul e a orla da praia, mas só há uma coisa que ela necessite de fato, estar distante, distante... O mundo que ela quer precisa ser remodelado.

domingo, 4 de julho de 2010

Meia noite, G.



- Garçom!





O silêncio respondeu.

-Hey, garçom!


Era só a escuridão, mais uma vez.

-Filho da puta, me traga um cinzeiro e uma taça de vinho transbordando!

Obtive a resposta de Ninguém.

Foi à meia noite...


O brilho nos olhos, a lua vibrante e nada mais válido à ser declarado, só era preciso o sorriso. Eu necessito do teu sorriso o tempo todo, é como um jogo tolo onde tudo o que pudessem tirar de mim não me faria falta. Podiam tirararem, levar-me, roubarem tudo, só não podiam arrastarem à força e fazerem com que o teu sorriso eu não visse mais. É como se a minha respiração aos poucos fosse criando dependência disso tudo, são os detalhes simples das palavras que eu encontro aqui, e nelas rabisco contos de fadas que não existem, são com essas mesmas palavras que faço o mundo chorar, sentir dor; e são com essas palavras que gosto de ti.





- Garçom, é só um desabafo; me escute, meu caro!

O universo sentou-se pra que eu fosse ouvida.

Eu gostaria então de declarar... (blá, blá, blá, blá, blá, blá)

- Você não percebe que histórias de amor são clichês?



Explodiu meu ser ouvir aquilo, foi como uma invasão sentimental, inescrúpulo!





- Amar ao próximo é tão demodê...

Não retruquei, solucei profundo, profundo...


De lá de dentro da alma busquei forças e lutei, vi o teu sorriso e arrisquei denovo, denovo, denovo e denovo. Eu sei que a lua sorri pra mim como quando o teu sorriso me fortalece, o meu sangue como numa corrida celular transbordando e em ebulição nos meus meios arteriais, minhas veias sólidas e intactas como a juventude que não crê em sonhos. Eu serei feliz. Explodindo meus opostos internos, busquei aqui fora a mesma coisa, mas sinto medo as vezes, tenho receio de alguns cortes quando trata-se de ti. Por mim vejo pulso e sangue a todo tempo quando trata-se do meu, mas eu jamais arriscaria a tua vida.

- Preste bem atenção! Você mesmo seu eqüíneo invalido e desprovido de sentimentos; incrédulo, infiel, tu não mereces uma gota do vinho que bebo que nem foi tu quem buscaste, tu não mereces um dedo meu pra quando precisares de ajuda, tu és incompetente e só. E assim será pra sempre, e digo mais, digo que tu não encontraste o amor, nem o bom trabalho, e só reclamas tanto pois não crê, então nada serás, nada serás... Será só mais um garçom vadio e vazio, enquanto trabalharás com pessoas do mesmo tipo, passarão por ti e te passarão para trás garçons que muito ainda têm de crescer; é uma profissão digna de quem é digno de servir alguém por sua discreta e aplaudível humildade. E tu não és homem, não tu.

Olhei bem nos teus olhos aquela noite, dei-lhe um abraço antes de dormir e contigo de costas pra mim de modo que meus labios tocassem aos poucos o teu pescoço eu pude beijá-lo lentamente e sussurrar no teu ouvido palavras doces, um pouco cruas, mas doces, tentando ter uma voz aveludada, tentando te agradar e fazer-te dormir um pouco, descançar ao meu lado.


Acariciei teu rosto, desejei-lhe uma boa noite e pedi aos anjos que lhe entregassem somente os sonhos bons, esperei que fechasse os olhos e beijei teu rosto como quem beija algo precioso com carinho. Acordei logo depois do sonho magnífico e a tua presença se esvai aos poucos, de forma que meus olhos também se abrissem na mesma velocidade. Você nunca esteve aqui, mas te sinto presente o tempo todo e sempre estou do teu lado, sempre.

Eu gostaria de dizer-te mil palavras, mas só tenho algumas poucas e não muito à dizer-te, mas a agradecer, a chorar por ti, a sorrir por ti, a abraçar-lhe, tenho muito à lhe explicar, a gostar, amar, sei lá... Aprendo e desaprendo o tempo todo, mas estou segura porque caminhas comigo.

E nada me tira o sono senão uma única oração como esta:
O teu sorriso.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Tortura

E tenho dito que tenho sorte em gostar da morte e prazerosamente morrer.
E tenho dito que é um perigo dar abrigo àquele que quer se perder.
E tenho dito...
É mais que fato que andar no mato me dá coceira.
É mais que mito que não machuca espinho de roseira.
E ainda tento do apartamento não me jogar do andar mais alto.
E o sol se põe na minha janela e atravez dela minha vida se esvai.
Uma juventude plena e sem planos.

Ontem a noite morri, sorri, amei, conheci, cantei e pela primeira vez em tempos dormi sem chorar, o cansaço da madrugada me pegou já era tarde e eu falava com alguém realmente especial que me faz agora um bem constante. Os meus olhos fitavam o nada pedindo o abraço dela e o coração palpitante eu escutava latejando sem sentido, é uma carência enorme, e eu substituo pouco a pouco meu passado por algo que me completa e já não me limita tanto.
Deixa-me ser livre e assumir meus próprios erros, deixa-me crescer por mim e carregar minhas coisas nos ombros, deixa-me arrastar com as pernas o peso da estupidez humana em criar a rotina, os limites pra fugir da condenação brotesca que nos foi dada; somos condenados a ser livres o tempo todo... e recusamos.

A madrugada me pediu um abraço, eu dei um beijo longo e fervente,
Era madrugada fria e o dia não se encontrava tão facilmente,
Era dia de nuvens e serpentes,
É dia de solidão.
E o sol veio voraz, sem pena nem paz que fizesse alguém sonhar.
Queimou tudo, levou tudo até o sentimento,
E disse que hoje o dia não seria bonito,
Desmaiei.

Acordei com um atraso de meia hora e meus olhos insistiam em manter-se pregados, maldita queda nos braços amigos, maldita madrugada fria... mais um beijo demorado.
Os pingos d'água me deram recados e me martirizaram aos poucos e o universo parou de girar depois que o grito dos meus olhos viu o mundo morto.

E tenho dito...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Dedico à thais :)

Clarisse (...)
Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado. Quem diz que me entende nunca quis saber. Aquele menino foi internado numa clínica, dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças, dos sonhos que se configuram tristes e inertes como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha. E clarisse está trancada no banheiro e faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete. Deitada no canto, seus tornozelos sangram e a dor é menor do que parece, quando ela se corta ela se esquece que é impossível ter da vida calma e força. Viver em dor, o que ninguém entende. Tentar ser forte a todo e cada amanhecer! Uma de suas amigas já se foi... Quando mais uma ocorrência policial, ninguém entende, não me olhe assim com este semblante de bom samaritano cumprindo o seu dever, como se eu fosse doente, como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente. Nada existe pra mim, não tente! Você não sabe e não entende!
E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito Clarisse sabe que a loucura está presente e sente a essência estranha do que é a morte, mas esse vazio ela conhece muito bem de quando em quando é um novo tratamento mas o mundo continua sempre o mesmo; o medo de voltar pra casa à noite, os homens que se esfregam nojentos no caminho de ida e volta da escola, a falta de esperança é o tormento de saber que nada é justo e pouco é certo e que estamos destruindo o futuro e que a maldade anda sempre aqui por perto. A violência e a injustiça que existe contra todas as meninas e mulheres, um mundo onde a verdade é o avesso e a alegria já não tem mais endereço. Clarisse está trancada no seu quarto com seus discos e seus livros, seu cansaço. Eu sou um pássaro, me trancam na gaiola e esperam que eu cante como antes. Eu sou um pássaro, me trancam na gaiola mas um dia eu consigo existir e vou voar pelo caminho mais bonito. Clarisse só tem quatorze anos. (Renato Russo)

ausente

e tudo o que eu quero agora é um cobertor e nós dois embaixo dele... o problema é o nós que já não acontece mais; então eu tenho o cobertor... a sós